USA-ME, SOU O TEU MILAGRE!
Para a Glória de Deus Pai, Seu amor me alcançou há dezessete anos atrás. Minha vida durante esses anos tem se enchido de prazer e novidade, porque o Seu Espírito tem me levado a
amá-lo e servi-lo de todo meu coração.
Antes de me entregar à Jesus, minha vida quase foi destruída. Aos oito anos de idade, minha
mãe me contou que eu era filho adotivo. Ela disse que minha mãe biológica havia me “abandonado”, pior ainda, me entregado como se entrega qualquer coisa. Contou-me que ela saía
pelas noites e me deixava em casa trancado, sozinho no escuro, e eu chorava muito.
Foi quando essa família me conheceu e me adotou. Nesse novo lar, havia poucos momentos bons, na maioria das vezes aconteciam muitas brigas e confusões. Meu pai bebia muito, minha mãe
frequentava centro, fazia despacho e levantava altares dentro de casa. Ela chegou ao ponto de traição, e então eles se separaram. Eu carregava em mim traumas de abandono, e, pela segunda vez, traumas de um lar destruído.
Conheci minha esposa em 1977, nos apaixonamos e nos apegamos um no outro. Talvez buscando aquilo que não tínhamos em nossas famílias, pois ela também tinha sérios traumas de infância.
Nos casamos em 1979, debaixo de uma grande turbulência. Nossos pais nem puderam estar em nosso casamento, pois estavam separados. Tivemos quatro filhos. Depois do nascimento deles, aqueles traumas que estavam em mim começaram a se manifestar, e, quando de repente comecei a beber.
Fumei durante dezenove anos. O cigarro fez muito mal à minha saúde, mas a bebida fez mal à mim e a todos que me cercavam.
Quando começava a beber, me sentia “livre”, ficava até alegre, mas de repente é como se apagasse a luz e eu dormisse. No dia seguinte acordava com dores por todo o corpo, e muitas e muitas vezes minha esposa me mostrava o rastro de destruição que eu deixava para trás. Inúmeras vezes quebrava tudo dentro de casa, jogava minha esposa de um lado para o outro, brigava com os vizinhos, brigava com os meus patrões, aliás, não parava em emprego nenhum, e quando chegava em alguma festa, a alegria acabava e todos fugiam de mim.
Fui alcoólatra, cheguei a beber perfume e álcool com água.
Na minha casa, todo dia um de nós ia para o hospital, pois as doenças não nos deixavam em paz. Minha esposa tentou suicídio, eu também, mas parecia que nem a morte me queria. Moramos em várias cidades e não parávamos em lugar nenhum.
Fomos parar em uma cidade na divisa com o Mato Grosso. Ali, invadimos uma casa do BNH, pois não tínhamos para onde ir.
Eu continuava a beber muito e brigava mais ainda. Passamos muitas necessidades, só não chegamos a passar fome porque lá no interior têm muitas plantações e as pessoas nos davam algum alimento. Mas como eu entrava em contenda com todos, até isso me foi cortado.
Em uma manhã, quando não tinha mais o que comer e para onde ir, tudo estava “fechado”, bateu em mim um desespero sem fim. Comecei a chorar, olhei para o céu e disse: “- Deus, eu sei que o Senhor existe em algum lugar, onde estás? Está vendo o meu sofrimento?”
Algo diferente aconteceu naquela manhã. Havia em cima do meu armário uma bíblia que eu ganhara há muitos anos da minha avó, mas, jamais lera. Ela estava aberta no Salmo 91. Essa página estava até amarela, pois a usávamos como um amuleto. Naquele momento a porta da cozinha estava aberta. Enquanto eu falava e chorava, entrou um vento bem suave e as páginas começaram a folhear bem devagar e parou. Aquilo me atraiu, e algo me fez chegar perto e ler o que estava escrito onde parou. Assim estava descrito: “Andaram desgarrados pelo deserto, por caminhos solitários, não acharam cidades que habitassem, famintos e sedentos, a sua alma neles desfalecia. E clamaram ao Senhor na sua angústia e Ele os livrou das suas necessidades, e os levou por caminhos direitos, para irem a cidade em que deveriam habitar. E enviou Sua Palavra e os sarou, e os livrou da sua destruição.” (Salmos 107. 4,5,6,7 e 20).
Naquele mesmo dia, Deus nos trouxe de volta para Jundiaí. Mas não tínhamos aonde ficar.
Então liguei para minha irmã e meu cunhado, e eles arrumaram um cômodo para mim e para minha família. Como Deus tinha planos há executar em minha vida, foi lá que fomos morar. Eles eram caseiros da igreja Batista (que ironia!).
Minha esposa e meus filhos aceitaram Jesus, mas eu ainda não O havia confessado. Então ela descia para os cultos com meus filhos, e eu ia para o bar beber. Já não brigava mais, pois minha esposa tomou posse da Palavra de Atos 16.31: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e tua casa”.
Ela determinou a minha salvação em trinta dias. Eu chegava em casa na hora dos cultos, e ficava no quintal ouvindo as mensagens que eram pregadas. Ouvindo que Jesus me amava, que se entregou por amor de mim naquela cruz para pagar todos os meus pecados e meus sofrimentos. Eu começava a chorar muito e meu coração “se derretia”. Até que não aguentei mais. Vinte e nove dias depois eu entrei na igreja e aceitei esse amor, que até hoje me constrange.
Lembro do hino da minha conversão, número 123 do cantor cristão: Alvo mais que a neve.
Foi isso que meu Amado Jesus fez em minha vida. Me tirou do vale da sombra da morte, da sujeira do pecado e me fez mais branco do que a neve.
Nos primeiros dias da minha conversão, fiz a seguinte pergunta ao Senhor: “Como eu poderia amá-Lo mais que tudo? Como poderia amá-Lo mais que minha esposa, meus filhos e meus amigos?. Porque neles eu poderia tocar. “Como então amarei ao Senhor que não posso tocar fisicamente?”. Ele me respondeu em Sua Palavra: “Aquele que tem meus mandamentos e os guarda esse é o que Me ama, e aquele que Me ama será amado do Meu Pai, e Eu o amarei, e Me manifestarei a ele. Se alguém Me ama, guardará a minha Palavra e o Meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (João 14. 21 e 23).
Desde então eu e a minha casa amamos a Palavra do Senhor, A reverenciamos e A exaltamos. Porque a Palavra de Deus é digna de toda aceitação, de toda honra e de toda glória.
Hoje tenho três filhos casados. Meu genro, minhas noras e meus netinhos, todos amam o
Senhor. Tenho uma filha solteira que demonstra o amor que tem ao Senhor, ama e medita na Lei de Deus e é praticante da Palavra.
Fui péssimo exemplo para meus filhos e trevas na vida deles. Mas quando entreguei minha vida à Jesus, Sua luz brilhou em mim e irradiou meus filhos fazendo-os entender o caminho em que deveriam andar, porque eu dava exemplo andando com eles. Eles foram meus primeiros discípulos.
Meu casamento, hoje, é realmente um pedacinho do céu. Quem nos conhece sabe o que estou dizendo. Claro que temos muitos defeitos, mas não olhamos para isso. Vemos sim, as qualidades de Cristo um no outro, e assim vivemos como casal de namorados e fazemos com que a Palavra de Deus se cumpra sempre em nossas vidas. Somos atraídos um pelo outro (Pv 5.19).
Jesus transformou completamente minha vida e me fez um novo homem. Hoje, eu e minha família vivemos para anunciar este evangelho maravilhoso que transforma o homem e o leva para o céu.
Enfim, cada vez que me lembro do homem que fui, e do que Jesus me fez ser, recordo-me da Palavra que em mim se cumpriu: “E me tirou da potestade das trevas e me transportou para o reino do Filho do Seu amor” (Cl 1.13)”
Obrigado meu Senhor!
Sidnei Belas Rios |